Lopes
 
 
   


>>   Navios levam 40 dias para atracar no Porto de Santos

Exportadores de açúcar brasileiros estão em festa com os preços altos e os consumidores lá fora interessados em comprar. O que estraga a festa é a dificuldade em vencer o gargalo do porto de Santos: o embarque que levava uma semana, agora precisa de 40 dias, trazendo prejuízos gerais.

47 navios esperam o sinal verde para atracar no cais santista e embarcar 2 milhões de toneladas de açúcar. Esse volume, nestes 19 dias de julho é 36% maior do que o embarcado em julho inteiro do ano passado. Um dos motivos para esse aumento é que o Brasil é o único país com açúcar sobrando para vender ao mercado externo.

“Tem muito a ver com o preço também: os preços, quando eles estiveram muito altos no início do ano, os importadores, os compradores acabaram por usar o estoque e cessaram as compras”, afirma o consultor da Kingsman do Brasil, Luiz Carlos dos Santos Júnior.

Outro motivo é a entrada de um comprador de peso do açúcar brasileiro. A China, uma das maiores exportadoras de açúcar do mundo, não tem dado conta do próprio consumo interno. Por isso, passou a importar.

Como o porto de Santos tem apenas sete pontos de atracação para navios de açúcar a granel é preciso paciência para embarcar. Além disso, quando chove, o açúcar fica parado nos portos. E a chuva da semana passada fez o tempo de espera aumentar de uma semana para até 40 dias. E esse atraso custa caro: R$ 45 mil por dia por cada navio parado, sem falar nas outras consequências.

“A partir do momento que não há o escoamento dessa quantidade de açúcar, você começa a ter problemas logísticos da transferência desse açúcar aqui pro porto de Santos. É caminhão, são vagões, não existem armazéns em número suficiente para acondicionar esse tipo de carga”, conta o presidente da Sindamar, José Roque.

Os caminhoneiros teriam mais motivos pra comemorar o aumento na exportação, se não fosse o tempo de espera para descarregar. “Daria para ir lá carregar e descarregar uma viagem por dia, mas com esses imprevistos, a gente consegue fazer no máximo 3, 4 viagens por semana por causa do tempo parado”, conta o caminhoneiro Walter Maukuski.

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